Sociedade liberal.
Democracia.
Liberdade de expressão.
Depois de dezanove longos anos a habitar este mundo vou percebendo, vou vendo, o que me rodeia. Aliás, antes já o via, já observava o mundo à minha maneira, através de um olhar sonhador de uma criança.
Mas agora é diferente, agora cresci, aprendi, procurei e encontrei, se calhar, mais informação do que aquela que queria ter. Apercebi-me que o mundo, caso queiramos olhar para ele, é um sitio terrível para se viver…
Vejo um puto qualquer a atirar comida para o chão (sim, aquele meio pacote de batatas fritas que está a mais e que, só por acaso, custou mais do que o dinheiro que uma família na Nigéria tem para viver). E, depois disto, penso. Será que ele precisava mesmo de o deitar fora? Será que não o podia guardar para quando fosse comprar outro e comer outra metade?!
Olho a política de uma forma diferente. Na TV não consigo ver mais nada senão uma política de insulto pessoal. Uma política que se baseia num permanente ataque pessoal e não, como seria lógico numa democracia, num debate construtivo de ideias e ideais que nos possam levar a algum lado. Por favor, minha gente, eu sei que o Sócrates foi um mau primeiro-ministro; mas que autoridade tenho eu para dizer que, como pessoa, ele é isto ou aquilo??
Caso seja preciso eu esclareço, não tenho essa autoridade! Eu não posso atacar quem não conheço, não posso, de maneira nenhuma!
Enfim, politiquisses à parte, preocupa-me imenso ver um mundo de desigualdades e preconceitos. Fico bastante incomodado ao ver alguém ser descriminado por uma opção pessoal, ou por uma questão racial ou simplesmente por querer ser diferente. Mais uma vez penso que temos um problema de direitos, um problema de violação de direitos aliás! Eu não tenho o direito de julgar ninguém e ninguém tem o direito de me julgar a mim … atrevam-se se quiserem!
Espero que, até agora, não estejam a achar este texto demasiado agressivo (digo isto para os sobreviventes que aqui chegaram, obviamente).
Mas continuando a minha dissertação por esta parafernália de assuntos, ou casos perdidos, como preferirem.
Escrevo em discurso directo com o intuito de tentar demonstrar a minha raiva perante uma sociedade fechada à diferença. Uma sociedade incapaz de aceitar que não somos todos um grande rebanho de ovelhas brancas e felpudas. Uma sociedade que tem a coragem de me pôr de parte simplesmente porque a minha pele tem uma cor diferente, ou porque tenho uma tatuagem, ou porque visto roupa diferente, ou porque sou gay! Nunca posso viver em paz com um mundo assim, até porque não me sinto bem nele.
Não sei muito bem para onde estamos a caminhar. Sei apenas que a continuar assim, a nossa pseudo-perfeita-sociedade vai ter um fim muito triste.
Mas nem tudo é mau. Tenho a perfeita consciência que estou a exagerar naquilo que digo. Tenho isso em mente quando, propositadamente, exagero, carrego nas palavras e delas faço a minha arma.
Eu sei que aqui e além se vão mudando mentes, se vão abrindo horizontes. Sei que a homossexualidade já vai sendo mais aceite, que os negros estão cada vez mais integrados na nossa sociedade, que as mulheres têm uma voz cada vez mais constante e audível nos círculos das nossas mais altas esferas. Sei que aos poucos tudo vai mudando, vão caindo tabus.
Mas mesmo assim, não estamos no caminho certo. Ou, então, eu tenho uma visão muito errada do sítio onde vivo.
Quero acordar e ver um mundo diferente. Aliás, vou-me deixar de fantasias idiotas. Quero acordar e ver um mundo em mudança! E quero fazer parte dessa mudança.
Há pessoas que têm o poder de mudar o mundo, que ditam leis. Eu, um mero colunista do meu próprio jornal, apenas tenho o poder de escrever. De, com as palavras, pedir algo mais.
E uma coisa fica prometida, sempre que estas palavras quiserem sair, eu vou deixar!
PS: Peço desculpa se este texto não faz qualquer sentido, saiu-me. E não vou revê-lo!
rrendo de forma agradável e nem mesmo o vento frio que se faz sentir os afasta daquele banquinho. Aquele sítio tem algo de mágico, algo de superior que, quase todas as noites, os trás de volta. Ali ficam a conversar e eu, eu fico-me por aqui a olhá-los, a dar os meus passeios. Divirto-me imenso a ver aquelas duas crianças que costumam vir brincar com o seu Basset Hound. Chama-se Thor o pobre cachorrinho. Coitado, farta-se de correr e mesmo quando já está cansado nunca pára de brincar só para agradar aos seus pequenos donos. Estes miúdos parecem ter pilhas inesgotáveis! Gosto verdadeiramente deles. Moram no prédio mesmo em frente ao parque e, por isso, podem vir sozinhos brincar. A mãe deles fica sempre na janela a olhar. É uma verdadeira senhora, de bom gosto, sempre com um tailleur diferente e impecável, sem a mínima falha. Se a memória não me falha, trabalha como designer num conceituado atelier do norte do país. Já o seu marido, de nome Scott, é um empresário de sucesso. Tem uma empresa de Marketing que parece subir todos os dias cem degraus na escada que leva ao topo. Enfim, são um casal de sucesso, um casal feliz em todos os aspectos da vida. Não vivem numa fachada bonita que tapa o podre que está por trás dela. Vivem sem ostentar a riqueza que têm, simples e informais, dedicando-se apenas à família e ao trabalho.



Naquela tarde a chuva batia nas janelas com tamanha violência que estas tremiam como um pobre mendigo numa invernosa noite de Dezembro. No entanto, no interior da sala, a lareira acesa fazia com que o ambiente estivesse quente e suave como veludo.
Cheguei ao wordpress quase por acaso e, ainda bem visto que descobri um espaço com possibilidades bastante mais vastas do que aquelas a que estava habituado.